segunda-feira, 15 de agosto de 2011

NELSON PENTEADO DE ANDRADE - BIOGRAFIA RESUMIDA

       Nelson Penteado de Andrade nasceu em Santos em 24 de fevereiro de 1927. Recebeu seus primeiros ensinamentos do mestre de desenho e pintura professor Paulo Alves  Siqueira em 1944, juntamente com Mário Gruber. Nelson frequentaria, mais tarde, o Curso Livre de Desenho do Museu de Arte de São Paulo, já então com ateliê em Santos na Rua Tiro Naval. Este foi o primeiro, no início da década de 50, de três locais onde estabeleceu não só uma oficina em que mantinha sua atividade artística, mas acabou por transformar-se em um verdadeiro centro de encontros e debates, em uma época em que Santos fervilhava no campo das artes e da Cultura.
      Para manter-se trabalhava como representante comercial de empresas de material elétrico e eletrônico.
      Em meados da década de 50 mudou seu atelier para a Rua João Pessoa para o andar superior de um imóvel defronte de  onde é hoje  Lojas Americanas, aproximadamente. Do final desta década até sua morte ocupou um imóvel na mesma Rua, junto à Rua Itororó, próximo ao prédio do Jornal A Tribuna.
      Em 1957 Nelson conquista a Medalha de Bronze no Salão Oficial de Santos, expondo ainda nos salões de 1958, 1960 e 1962, quando conquistou o prêmio máximo, “Cidade de Santos”, com um belíssimo quadro fixando trecho de morro santista à noite, obra adquirida pela Prefeitura de Santos.
      Participou do VII e IX Salão Paulista de Arte Moderna, várias coletivas e realizou exposições individuais na Casa do Artista Plástico(1963), Clube dos Artistas e Amigos da Arte,  e Galeria KLM(1963/64), em São Paulo, sempre bem acolhido pelo público e crítica.
       Criou, juntamente com Mário Gruber, o Clube da Gravura, depois  Clube de Arte de Santos, integrando também a Comissão Municipal de Cultura entre 1960 até 1963, grupo que, pelas características vanguardistas da maioria de seus componentes, chegou a provocar o início de revolução cultural na Cidade.
       Da pintura de Nelson disse José Geraldo Vieira, “e a verdade é que, ante os trabalhos do pintor santista, podemos asseverar que ele, dentro de mentalidade moderna de artesanato formal e cromático, repõe em trânsito os processos de Franz Mark, André Masson e Othon Friesz. E os repõe com desenvoltura pessoal, com sensibilidade própria e, principalmente, com uma disciplina que não se vale de efeitos expressionistas, quedando-se na sistemática pictórica mais genuína”.
        Quando da exposição de 1965, Juarez Bahia em crônica publicada no Jornal A Tribuna, destacava que “Santos pode testemunhar-se a si mesma nas imagens líricas do pintor, o cais do porto com suas humanidades entrando e saindo, os navios chegando com seus mastros como braços abertos; a barra com seus crepúsculos, o mosteiro de São Bento, as igrejas, as capelas, os morros. Nelson Penteado de Andrade é o pintor da poesia de Santos”.
        Faleceu em 1º de Outubro de 1966, com 39 anos,  em São Paulo, de edema cerebral, possivelmente decorrente da exposição a componentes das tintas, como o chumbo. Nesta ocasião o crítico de artes Geraldo Ferraz, rompendo as barreiras de que se cercava para o exercício de uma análise sempre dura e implacável, escrevia em A Tribuna: “Chamava-se Nelson Penteado de Andrade e ardia numa aspiração: a de chegar a alta expressão pictórica. Custa muito a uma coletividade produzir a rara inquietude que forma um artista, e em Nelson era irrecusável essa conjunção de angústias e tormentos”. Sua pintura era de tal forma autêntica, forte, sincera, moderna, que impressionou outros pintores, como Beatriz Rota Rossi.
          Seu nome foi dado à Galeria situada no térreo do edifício sede da empresa Prodesan-Progresso e Desenvolvimento de Santos, em outubro de 1989, passando a chamar-se Galeria de Arte “Nelson Penteado de Andrade”.

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